Festa da Ilustração - SetúbalJunho 2016 - Galeria do 11


Luis Filipe de Abreu recebeu-nos (a mim, a Hugo Lami Pereira e a Rui Costa) com humildade e simpatia, por coincidência de um trabalho académico pelo qual o ficámos a conhecer, assim, um pouco melhor. 
Não deixem de ir visitar esta exposição, por um autor que merece o reconhecimento por um trabalho excelente, que já desempenha há umas quantas preciosas décadas. 
É mais uma pequena conexão algo familiar de quem entra e saí daquela que é um pouco a nossa casa, FBAUL, mas principalmente de quem ama desenhar.


Paulo Monteiro (1967) tem sido um exemplo que observo, um pouco distante desde os meus 14 anos - quando aprendi que alguém poderia viver e fazer banda-desenhada de coração.
Admirei sempre a nobre execução do FBDB que recai sobre os ombros do Paulo, da Susa, do restante pessoal da BDteca, Casa da Cultura e demais voluntários - sabendo que é o Paulo que lida com as maiores dificuldades na organização para trazer um festival tão especial e tão virado para o seu próprio público a nós. 
A verdade é que ainda tendo esta admiração longínqua nunca tinha de facto lido uma história escrita e desenhada pelo Paulo Monteiro (não sei porquê).
E foi nesta feira do livro que me deparei com O Amor Infinito que te tenho, que por pouco não o trouxe comigo no último festival de BD, visto que os barcos têm de ser divididos pelas marés (e isto sou eu a inventar ditados quando não me lembro deles). 



Decidi começar a lê-lo num momento ocasional, a um almoço - porque não? Preciso de quebrar barreiras entre mim e os "meus" momentos ideais para ler. Mas parei a poucas páginas do início.
Talvez por ser uma BD sobre pessoas, de certeza por ser uma BD sobre sentimentos. Bateu-me mais fundo do que estava à espera e fiquei sem fome.
Ainda não li o restante, mas são poucas as coisas que me conseguem fazer "sentí-las" e ainda menos as BDs (mais uma vez não sei porquê, se calhar simplesmente ainda não li suficientes BDs sentimentais). 
Mas doeu... um doer não malicioso mas um doer de empatia, um doer de eu sei como me sinto e alguém também já o sentiu. 





As minhas palavras podem não fazer sentido nenhum mas a verdade é que estou para escrever Reviews há imenso tempo e para este livro não é uma review completa, nem sei se é de facto uma review por que não tenho palavras para esta primeira quinzena de páginas e muito menos para as seguintes... não sei o que dizer. 
Mas parabéns Paulo, não que o meu congratulamento tenha muito valor, mas se te importa o que uma pessoa viu ou sentiu, sabe que independentemente das centenas e milhares de pessoas com acesso ao teu livro - a esta pessoa tocou-lhe no coração. E ainda nem vou a meio. 

Um agradecimento por seres um exemplo daquilo que quero ser um dia. 



Mariana

Na verdade, são Renascentistas e não Medievais, o que praticamente não se distingue na série devido aos seus revivalismos amenizados à moda e música do séc. XXI


Pois é, um "guilty pleasure" para descansar o cérebro é ver séries terríveis, que sabemos que assim o são e, no entanto, não conseguimos "desólhar" o Drama Mexicano.
Vou para o 6º episódio de REIGN, uma série com temática pseudo-histórica onde dramatiza a vida de Maria I da Escócia - uma rainha em potência, prometida a Francisco II de França desde os 6 anitos. Uma menina super protegida que "viveu num convento toda a sua vida por ser ameaçada em criança, até ser reencaminhada para França por tentativa de envenenamento". (e como eu sou preguiçosa vou confirmar toda esta veracidade histórica pelo website mais accurate que conheço - a wikipédia).


Desde já começa mal O drama porque, apesar de Maria ter sido extremamente importante, sendo a única herdeira do seu pai, Jaime V da Escócia, e ascendendo DE FACTO ao trono aos 6 anos por essa mesma razão, ela nunca foi para um convento, nunca houve uma perseguição de facto - embora provavelmente houvessem ameaças (?) - foi, sim, directamente encaminhada para França onde permaneceu nos anos seguintes até à morte do seu efectivo marido (aos 18 anos (?)). Durante este tempo a Escócia foi governada por regentes até à maioridade de Maria. 



Bem, mas isso não interessa muito para a série - há um enorme lapso de tempo onde só sabemos que a "Maria" viveu enclausurada com freiras num mundo perfeito e longe dos meninos e do pecado.  O que interessa para o sumo é o seu noivado com Francisco II (Acordo de Châtillon). Prometidos desde muito novinhos, na série, não teriam tido contacto à excepção de breves momentos de infância (quando brincavam juntos enquanto as mães os prometiam um ao outro) e então o seu reencontro é super romântico e fofinho *ai aquele menino que eu chamava de totó quando tinha seis anos afinal é um 9/10 ainda por cima é rei e vamos governar juntos e ser felizes*. A personagem de Francisco é, na série, o ideal Cortegiano cheio de sprezzatura e saído dos Backstreet Boys - à excepção da irrefutável presença do pecado carnal com, pelo menos uma menina - Olívia - na sua vida - o que é compreensível para um miúdo de hormonas aos saltos, para um rei em potência (visto que naquele tempo as amantes eram, inclusive oficiais). Não parece nada ter 15 anos mas também não parece passar dos 20.


Já na História, não é bem assim. O menino era um puto, "anormalmente pequeno e gago"  (segundo a wikipédia, não sei quem são as fontes deles :v) prometido aos 4 anos e que forçosamente subiu ao trono e casou pelos 15 anos - após morte acidental do seu pai (que já per se - é uma galante puta na série - e está vivo. lol.) O mais engraçado -e sem piada nenhuma- é que este menino faleceu poucos meses após o seu casamento/subida ao trono - não proporcionou quaisquer herdeiros e provavelmente tinha uma saúde tão débil que não conseguiu produzir mais Francisquinhos (e duvido muito que tivesse tido fervorosas amantes anteriores a Maria - que, não nos esqueçamos - SEMPRE VIVEU NA CORTE FRANCESA).  No entanto parece que ambos tinham uma boa relação, o que é fofo  (*˘︶˘*).。.:*♡


Bem parece que no meio disto tudo a única coisa minimamente verídica é a antipatia de Catarina de Médicis (mãe de Francisco) por Maria, e os nomes das personagens..... mas NÃO! Pois Catarina era oh tão a perfeita "segunda mãe" de Maria, quando ela era pequenina e fofinha - até saber o derradeiro destino - onde nas visões da sua Maria Helena da Sic pessoal - o misterioso Nostradamus - Maria I é a causa de morte do seu adorado filho!!!! TANTANTAN
Ah e os nomes também falham, por que era demasiado complicado chamar Maria a todas as Aias de Maria I - o que foi um facto que até acho bastante engraçado e quase português.









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Por falar em Português!! Havia uma personagem PORTUGUESA na série ( ͡o ͜ʖ ͡o)
uma personagem que imediatamente confirmei que nunca existiu. Inspirado num qualquer bastardo de D.João III de Portugal - que teve bastantes filhotes mas todos morreram. Este Tomás supostamente estaria a tentar a sua sorte como único sucessor antes do drama Sebastianista. Mas foi só uma desculpa para porem um hot Latino com sotaque no ecrã. O pior é que enfatizam o drama todo com uma visão da nossa querida Maria Helena Nostradamus que profetiza o confronto entre Portugal e Inglaterra. Quando ambos eram aliados...... Há anos....... eu. sei. lá. 
Entre outras graves  imprecisões históricas que já nem vou falar acho que o pior é mesmo a ausência de ambiente histórico - é que até Da Vinci Demons fez melhor. Pois parece que, assistindo à série estamos em todo o lado, menos na corte francesa de 1500. Desde a roupa à música que acompanha os episódios - sempre que algo parece melhorar *lá vem o Micael Carreira arruinar o momento - ou  helicópetero a mostrar os campos dos Açores ao som de Adele* - não é isto, mas é quase. 




*oh pra mim tenho uma gola e um cinto da Gucci por isso sou bue renascentista*
ESPERA, ATÉ HÁ UM ARTIGO SOBRE ISTO
acertei na marca e tudo. 
( ͡° ͜ʖ ͡°) tomem lá básicas


Mas no final - estou a escrever um post de um blog sobre a série. Por isso não podem ter feito tudo mal - só que sim. A verdade é que a nossa condição humana prende-nos a dramas mexicanos e morangos com açúcar, nem que seja só por curiosidade em analisar o comportamento humano - ou esta é uma desculpa que dou para aturar o meu mau gosto. 
Esta série é terrível. E é terrível que eu a esteja a ver. Só precisava de ventilar frustração para um revivalismo histórico muito falhado - por que deveria ser categorizada como revivalismo - assim como o período romântico foi tudo menos um neo*inserirPeríodoHistórico* - sendo uma mistura de todos os períodos históricos para que tudo fosse mais bonito -  e não como uma série baseada em factos históricos - baseia-se em tudo MENOS EM FACTOS HISTÓRICOS - inclusivé na Gucci!

A verdade é que começo a ver este tipo de séries por puro interesse em reconstruções históricas, mas esqueço-me que a história não é suposto ser assim tão interessante, e que tudo o que é novela é tudo menos histórico. Devia parar de perder tempo com isto e cingir-me a livros. 




(e desculpem as imagens enormes mas não me dou com esta skin do blogue x-x)

Okay, quem somos nós?
Somos estudantes sem rendimento próprio que ainda não atingiram o auge de adulto funcional.



Pois, peço desculpa, mas ainda não conseguimos priorizar uma tarefa sem outra cair em detrimento, e o lavar o chão ainda não é compatível com ir ver exposições ao fim-de-semana. 
Porque, adivinhem - ainda não temos empregada nem transporte próprio. Aquilo que se resumiria a uma hora acaba por ocupar três, se não uma tarde inteira - para além de que as tarefas domésticas são constantemente adiadas  por prioridade académica, para que, quando as finalmente encaremos seja uma balburdia de coisas para lavar.

A verdade é que, por muito que nos custe, ainda não conseguimos ir a Veneza por que os 200 euros a poupar já os gastamos todos os meses na renda do quarto, com dinheiro que não é nosso, e chegamos a ter semanas que vamos para o continente com as compras contadas. No início é fácil discernir as compras entre o indispensável e o comodismo. Mas a verdade é que para conseguirmos estar bem como seres humanos, num ambiente estranho e longe dos mimos da mãe precisamos minimamente desse comodismo, e acabamos por precisar de contar com esses pequenos gastos (café, bolachas etc) que no primeiro ano eram completamente postos de parte pelo amor à poupança, o que provavelmente só veio acumular na nossa crise existencial dos 20 anos. 




Somos estudantes sem um percurso conciso. Há tantas coisas que vemos, especialmente sob o fantástico fenómeno do fácil acesso à informação - que quer seja nas  aulas teóricas ou fora delas - queremos ler e saber, mas culpabilizamo-nos de não desenhar se estivermos a ler, e de não ler se estivermos a fazer outra coisa qualquer. Tanta coisa que vemos pela primeira vez ficamos fascinados com demasiada diversidade e não nos conseguimos concentrar num caminho. Mas há tanto para desenhar e tanto para ler que nunca conseguiríamos esgotar os recursos sem fundo ou deixar de ter algo com que nos entreter - o que se torna uma constante na dinâmica da procrastinação. Essa imagem é tão assustadoramente infinita que acabamos por ficar que nem uns burros a olhar para um palácio e acabamos por não fazer "nada" durante horas. Acabamos a vaguear num percurso infindável para o constante perfeccionismo de uma coisa que não sabemos aperfeiçoar de outros modos, somos amadores no mundo profissional - apenas para nos dizerem que não estamos bem, em lado nenhum.


 
E sim, tudo isto é normal enquanto crescemos e descobrimos quem somos como pessoa, como artista em potência - mas também é frustrante, também é exaustivo e não são só "desenhos".  Por isso por favor parem de olhar para nós como o cúmulo da ignorância e inutilidade por nunca termos visto Newman ao vivo. Por que todos somos humanos, todos temos algo de novo a aprender uns com os outros e tentamos fazer o nosso melhor sob as constantes e derivadas em que vivemos.

E já agora, eu também adoraria ir tomar um café a Veneza. Mas não dá p'ra tudo.




É raro pegarmos em tradições ritualistas, ou melhor, é bem comum. Assim como é comum dizermos que não lhes ligamos mas no fundo voltar a participar nas ditas cujas.
Não gosto muito que "ano novo" signifique algo para mim mas está tão entranhado na nossa cultura que é inevitável querer que o signifique, e quando o evitamos até sentimos uma certa melancolia. Portanto quero aproveitar esta passagem ritualista, que existe em todo o mundo a diferentes horas, para Repensar. Para meditar acerca do que realmente desejo de bom. E  aqueles objectivos que vemos ao fundo do túnel.

Desde já, o ano passado: houveram promessas, a mim mesma e a mais ninguém, que sinto que não cumpri totalmente. Poderia estar a desenhar melhor, poderia ter evitado mais a minha neurótica natureza.. ou então não, aprender a ir com a corrente, a deixar ir as más situações, acho que de certa forma todos os anos aprendo um pouco mais a conviver comigo. Não fiz tanto quanto queria, mas vejo progresso, vi que não fiquei parada, algo em mim cresceu. E embora tenha momentos de tristeza e frustração tenho momentos de grande alegria e paz.
Portanto só por aí 2014 já contou. 2014 foi um ano de cura e continuação. Sinto-me de facto mais luminosa.

Estava há pouco a pensar, o que vestir para o ano novo.. Pois desde pequeninos que somos habituados a ter a fatiota, a ter algo novo algo refrescante. Não sinto necessidade disso mas sim de conforto. Quero, de certa forma, tomar esta passagem como uma previsão do que esperar dos meus 21 anos. Quero conforto. Quero vestir vermelho para poder ter força, quero corações para ter muito amor, por mim e por todos. Quero aprender a compreender-me um pouco mais, deixar ir os sentimentos negativos e sempre aproveitar o momento, por que nunca sabemos qual é o último. Mas não encarando-o sob essa pressão, apenas aceitando que é uma bênção já sermos quem somos, já é uma bênção as pessoas que conhecemos, os lugares que vamos, até o sentir a chuva sobre o rosto, o trabalho que nos dá cabo da cabeça, as noites de trovoada, o quente da cama e abraços queridos.

Por que temos uma vida.

update 2015__________
uau que coisa lamechas
Para mim a recolha e meditação é parte essencial e fundamental para uma pacífica existência. Divirjo entre a necessidade da solidão e a necessidade dos outros, na sua medida pois a fobia social pode em certos casos aparecer. No entanto a solidão em demasia dá-me não só demasiado tempo para pensar sozinha como a falta de confronto de ideias.

Estou sempre a vaguear por estas duas balanças que controlam a minha emotividade. A auto-reflexão é, talvez, algo que eu faço a maior parte do tempo - o que não é necessariamente benéfico.

Necessito de me entreter, de actividade, de algo que me permita deixar de pensar. A apreciação dos lugares num panorama mais afastado permite-me essa actividade, assim como o exercício físico, caso o faça. No entanto a minha dispersão ocorre precisamente nos locais de maior conforto. Onde estou desconfortável estou organizada, onde me conforto a minha mente percorre ideias que nunca mais acabam numa ordem ao acaso e insociável.

Pegando no tópico acima - a auto reflexão, ou as conversas comigo mesma já me permitiram chegar aos estados mais destrutivos e aos mais iluminados - curiosamente associados à existência de um Ego ou o desaparecimento dele. Por isso mesmo gostaria de expôr essas situações, não comigo mas com o mundo. De certo milhares terão sentido algo similar. Se o meu objectivo é trazer uma certa paz é portanto igualmente confrontar o medo.

Curiosamente apenas escrevo para continuar uma linha de pensamento, pois usualmente a minha escrita é condicionada por esse sentimento de medo. Quando estou bem não sinto necessidade de o escrever.

Chiara Bautista

Um artista é um viciado. Um aficcionado pelo seu objecto de estudo.
Tudo o que a arte dignifica deriva de uma obsessão doentia pela representação e denunciação de uma realidade que, para o artista, é um vício constante e uma tortura necessária à sobrevivência.